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A tábua de esmeralda: um legado do Egito antigo - Parte 2

Este post faz parte de uma série.
Você pode ler a primeira parte aqui:

Parte 1

Então, sendo a libido a maior das paixões humanas, pode-se concluir o seguinte: onde quer que a vontade humana se veja sem obstáculos para sua realização, ali se criará um vertiginoso redemoinho de forças atrativas.

Quanto maior o número de homens em pleno exercício de seus impulsos volitivo-libidinosos, e sendo possível reuni-los num só sítio de modo a constituir uma cadeia mágica, o magnetismo gerado criará um encanto irresistível. Isto explica, em parte, o fascínio causado por tudo que se relaciona com o povo atlante – uma época em que a manipulação das forças da natureza era uma prática comum porque os homens viviam intensa e prazerosamente, sem culpa e sem censura.

A diferença entre os atlantes e a nossa época é a presença em nós dos sentimentos de vergonha, culpa e autocensura quando o prazer que sentimos não resulta do cumprimento do dever. Esses sentimentos são indícios de que o Eu já começa a exercer algum controle sobre seu veículo, o sangue. Como consequência deste crescente domínio do Eu sobre os impulsos do quaternário inferior, no futuro, faremos tudo o que se fez na Atlântida, mas sem destruir o planeta.

Isto porque as virtudes conquistadas ou as potências já desenvolvidas não mais se perdem, e a força que atuava no velho continente continua ativa e intensa atraindo quaisquer dois corpos na razão direta de suas massas e na razão inversa do quadrado da distância que os separa.

Isto ensinava Hermes, o Trismegisto, aos Iniciados nos mistérios egípcios; e isto se ensina aos Iniciados de hoje: o mundo sensório é uma manifestação da mente mediante a concentração da vontade (Kâma). Aquele que é senhor absoluto dos impulsos de sua vontade sê-lo-á também de seu sangue, e aquele que tem o domínio sobre o sangue encontrou a chave do ocultismo prático, pois da vontade depende a criação e a dissolução do mundo.

Entre os elementos corresponde-lhe o fogo, que tudo renova e transmuta. “Igne Natura Renovatur Integra” (a natureza inteira é renovada pelo fogo). A esse princípio do prazer ou Kâma, HermesTrismegisto dá o nome de “una re” (Substância Una) no seu discurso iniciático conhecido como “A Tábua de Esmeralda”.

Por conter a chave do Grande Arcano da Magia, somente o princípio geral dessa Tábua pode ser dado em público, reservando os pormenores de seu modus operandi para os círculos internos dos Iniciados. No entanto, damos, a seguir, a versão em português dos versos esmeraldinos para os que desejam aprofundar-se em seu estudo:

A Tábua de Esmeralda

É verdade sem engano, certo e veríssimo: o que está embaixo é como o que está em cima; e o que está em cima é como o que está embaixo; para a perpetuação das maravilhas da Coisa Una. E assim como todas as coisas vieram do Uno pela mediação do Uno, todas as coisas nascem da substância Una, por adaptação. O Sol é seu pai, a Lua é sua mãe, o vento o traz em seu ventre, a Terra o alimenta. Ele é o pai de tudo, o Telesma universal; A sua força é máxima, se é convertido em Terra. Separarás a terra do fogo, o sutil do espesso, suavemente, e com grande perícia. Sobe da Terra ao Céu e desce novamente à Terra, e recolhe a força das coisas superiores e inferiores. Desse modo obterás a glória do mundo, e todas as trevas se afastarão de ti; Nisto consiste o poder poderoso de todo o poder: pois vencerás todas as coisas sutis e penetrarás todas as coisas sólidas. Assim o mundo foi criado. Esta é a fonte de admiráveis adaptações, cujo meio é dado aqui. Por isso me chamam Hermes Trismegisto, porque possuo a sabedoria dos três mundos. O que eu disse sobre a obra Solar está completo.

Onyong Etoh Onyong

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