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O Desenvolvimento do Corpo Astral

Na Fraternidade Rosa-Cruz do Brasil, os Irmãos que recebem a Iniciação passam a ter a proteção dos “Homônimos Cósmicos”, incumbidos de proteger o Iniciado durante a vida e auxiliá-lo na passagem para os outros planos. O trabalho principal do Irmão que se inicia é desenvolver o Corpo Astral, que comanda as emoções e os sentimentos. Mas, se, logo no primeiro grau da Iniciação, não corresponder com a transformação regular que o grau de Aprendiz exige, os “Homônimos Cósmicos” se afastam e ficam aguardando a decisão do neófito, comandada pelo livre-arbítrio.

Esse desenvolvimento do Corpo Astral é proporcionado pelo desabrochar das flores de lótus que, começando a girar, facilitam a percepção das verdades espirituais. Essas “flores” são os “órgãos sensíveis da alma”, são os chacras.

Para chegar a esse desenvolvimento, o ser humano, simplesmente, precisa dedicar atenção a certos processos anímicos, que geralmente já vem executando despreocupado e distraidamente. Resumindo, são os seguintes:

O primeiro ponto consiste na maneira como se adquire representações. O Iniciado ouve isso e aquilo, vê uma coisa e outra, e forma conceitos. Agindo assim, os centros sutis dele permanecem inertes. Só começam a se ativar quando cada representação ganha importância. Deve experimentar, sentir, uma determinada mensagem, uma notícia sobre coisas do mundo exterior.

O segundo ponto relaciona-se com as resoluções do ser. O Iniciado deve somente decidir-se, até mesmo nos assuntos mais insignificantes, a partir de deliberações conscientes e fundamentadas.

O terceiro ponto está relacionado com a fala. Apenas o que tem sentido e importância deve sair da boca do neófito. Falar por falar desviará o Iniciado do caminho. Isto não significa que deva renunciar ao contato com os semelhantes, pois é precisamente na vida social que terá oportunidade de colocar em prática o que aprendeu.

O quarto ponto relaciona-se a estabelecer ordem nos atos exteriores. O Iniciado tem que procurar organizar os próprios atos, de tal forma que estejam em sintonia com os atos dos semelhantes e com o desenrolar do meio ambiente.

O quinto ponto consiste na organização de toda a vida. Procurar viver de acordo com as Leis da Natureza e do Espírito. Não se precipitar nem ser inerte. Procurar organizar os cuidados com a saúde, hábitos e assim por diante, de maneira a garantir uma vida harmoniosa.

O sexto ponto relaciona-se com as aspirações humanas. Deve examinar as próprias faculdades e capacidades e proceder de acordo com tal autoconhecimento. Evitar o que ultrapasse as forças que possui, mas fazer o que estiver dentro dos próprios limites, estabelecendo objetivos relacionados com os ideais, com os sagrados deveres do ser humano.

O sétimo ponto relaciona-se ao esforço para aprender o máximo possível com a vida. O Iniciado deve acumular experiências que possam ser úteis no presente e no futuro.

E, finalmente, o oitavo ponto consiste em efetuar, de tempos em tempos, uma introspecção. O Iniciado tem de se autoanalisar, formar e examinar os princípios de vida dele, pesar deveres, meditar sobre o conteúdo e o objetivo da vida.

Quando atingir o ponto em que a maneira de viver, mencionada nos itens acima, se transforme em hábito, só então se apresentam os primeiros vestígios das verdades espirituais. Vamos dar um exemplo para elucidar bem a questão. Imaginemos que nos chegue uma notícia e, imediatamente, formemos sobre ela um juízo. Pouco tempo depois, chega-nos outra notícia, sobre o mesmo assunto, que não coincide com a primeira. Assim sendo, somos obrigados a refazer o juízo feito anteriormente. A consequência disso é uma influência desfavorável sobre os centros sutis da alma.

A coisa teria sido completamente diferente se o neófito observasse os assuntos com certa reserva, se tivesse silenciado interiormente os pensamentos e exteriormente as palavras, até receber provas concretas do acontecido, para então formar um juízo justo.

Cautela em formar e expressar juízos tornar-se-á, pouco a pouco, o perfil especial do ser. Em compensação, aumentará a receptividade às impressões e experiências que, em silêncio, desfilarem à frente do Iniciado.

Na Fraternidade Rosa-Cruz do Brasil, como em outras Ordens similares, todos têm dúvidas e gostariam de respostas. A vida não tem respostas! A vida é para ser vivida e não para ser concluída numa análise.

A maioria das pessoas busca essas respostas como algo a que a mente possa apegar-se, e isso cria um padrão para o resto da vida. Se compreendermos isso, as perguntas tornar-se-ão extraordinariamente importantes, cheias de significados, porque a mente então estará interessada no próprio problema e não na solução.

Quando percebermos que todas as respostas não nos livram do problema, então a mente deverá se concentrar em si mesma e nisso reside a beleza do processo: o desafio que se nos oferece.

Exemplificando: Quando sofremos, a reação imediata é procurar a cura para o sofrimento. Desejamos conhecer porque sofremos e culpamos o Carma, ou outra coisa qualquer; isso só serve para abafar o problema, pois o sofrimento continua. O importante é analisar o próprio problema e isso trará uma tremenda vitalidade, permitindo chegar à raiz da questão, encontrando a resposta, ou solução. Eliminaremos, assim, o medo, pois seremos conscientes da capacidade que temos para solucionar qualquer situação problemática que surgir.

A maioria da humanidade não tem bastante humildade para dizer “não sei” e buscar o conhecimento. Prefere ser ensinada, porque assim cria um vínculo com quem ensina, o que dá um sentimento de segurança e conforto. Adotando essa postura, a mente fica estagnada e incapaz de aprender sozinha, por si mesma.

E é importante conhecer que existe uma grande diferença entre aprender e ser ensinado. Aprender requer grande humildade. Aquele que afirma “eu sei”, na realidade não conhece nada; aquilo que conhece é coisa passada, morta. Já aquele que aprende continuamente, compreende a realidade, momento por momento.

Todos desejam viver. Poucos desejam conhecer como viver.

Se as pessoas permitem que o trabalho ocupe a maior parte do próprio tempo, nada lhes sobrando para a meditação, serão tão culpadas por esse desperdício de vida, como o serão se permitirem que prazeres passageiros tomem esse mesmo tempo.

Os que não têm vida interior pagarão necessariamente, nas crises ou emergências, o alto preço da extroversão, quase sempre, incorrigível. Isso perturba o equilíbrio na Natureza e, como consequência, traz a doença e o sofrimento.

A humanidade, brevemente, testemunhará, inevitavelmente, uma reação em larga escala contra a própria extroversão excessiva e, então, a busca interior pelo desapego mental surgirá.

Lício Pinheiro (Venerável Grão-Mestre da FRCB, 1988-2015)

 

Imagem: Isis, de Athanasius Kircher, Roma, 1652.

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